Altar Particular

Maria Gadu

Quanto mais escuto, mais amo essa letra e suas imagens…

Meu bem que hoje me pede pra apagar a luz
E pôs meu frágil coração na cruz
No teu penoso altar particular
Sei lá, a tua ausência me causou o caos
No breu de hoje eu sinto que
O tempo da cura tornou a tristeza normal

E então, tu tome tento com meu coração
Não deixe ele vir na solidão
Encabulado por voltar a sós
Depois, que o que é confuso te deixar sorrir
Tu me devolva o que tirou daqui
Que o meu peito se abre e desata os nós

Se enfim, você um dia resolver mudar
Tirar meu pobre coração do altar
Me devolver, como se deve ser
Ou então, dizer que dele resolveu cuidar
Tirar da cruz e o canonizar
Digo faço melhor do que lhe parecer

Teu cais deve ficar em algum lugar assim
Tão longe quanto eu possa ver de mim
Onde ancoraste teu veleiro em flor
Sem mais, a vida vai passando no vazio
Estou com tudo a flutuar no rio
Esperando a resposta ao que chamo de amor

 

Maria Gadú

um comentário colhido na net

A terceira versão do disco de Maria Gadú é de Baba, uma canção que foi, aqui há uns anos, um êxito de Kelly Key, uma cantora pop lançada para capitalizar o sucesso das cantoras adolescentes na senda e na onda da Britney Spears: material dançável, orelhudo, muito produzido, cheio de innuendo sexual mas sempre sem sair dos limites, numa espécie de sensualidade picante e ingénua. A Maria Gadú dá completamente a volta à canção, tira-lhe a batida fácil e o adocicado pop, embora, e isso é notável, sem lhe estragar o carácter. O resultado é uma canção forte, uma Lolita reinventada, afirmativa, crua, quase brutal, que não deixa de nos seduzir e tanto quanto nos assustar. E sabe-se como desejamos sempre mais, aquilo de que temos mais medo.

(por Miguel, português, autor do blog um voo a nada)

a cantora e a música

Maria Gadú – Baba (Kelly Key/Andinho)

Conheci Gadú exatamente com essa gravação, e achei a maior graça dar de cara com esse comentário na net, hoje. Bom comentário, que deixa de lado certos preconceitos e areja nossos neurônios :)