Millôr Fernandes
Millôr é assim um tipo de “trilha sonora” da minha vida, apesar de não ser cantor nem música. Mas lembro das muitas vezes que nos reunimos em casa, em volta de um de seus livros, e íamos nos revezando na leitura, numa espécie de sarau familiar. Então minha memória do Millôr é mais auditiva do que visual, uma lembrança sonora que se arrasta desde a infância e – certamente – me acompanhara por toda a vida. Desde sua morte estou pensando em um post bacana aqui para o Bagunça, mas essa maledita correria dos dias modernos não me deixava pensar. Agora topei, meio por acas,o com essa deliciosa conpozissão infãtiu:
O guarda-chuva foi uma coisa que começou como guarda-sol, mas aí choveu. É feito de um cabo, um pedaço de pano e uma porção de varetas que entram nos olhos das outras pessoas que passam e, se elas não se desviam e dizem um palavrão, vão ficando cegas. O pano é preto no de papai e colorido no da mamãe e serve para deixar a chuva escorrer toda pra dentro do sapato. O principal do guarda-chuva da mamãe, que é novo, é que ele não abre nunca, e o do papai, que é velho, é que não fecha nunca.
fonte: saite do Millôr


